domingo, 22 de novembro de 2009

A saudade em sua despedida

Saudade, saudade,
Esvazia-me e invade,
Tira-te e me deixa o sabor de sua boca,
Leva-te e me deixa seu cheiro na roupa.
Saudade, saudade,
Esvazia-me e invade,
Tu és maldita, entristece, machuca,
Tira-te e me rouba sua mão em minha nuca.
Saudade, saudade,
Esvazia-me e invade,
Arrasta pra longe o andar de mãos dadas,
Depois que me entorpece, não me deixa nada.
Saudade, saudade,
Esvazia-me e invade,
Rapta-me o dormir abraçado,
Deixa-me o dissabor de não te ter ao meu lado.
Saudade, saudade,
Esvazia-me e invade,
Mas ah saudade! Não sabes o que te espera!
Mesmo que persistente e por mais severa,
Um dia, entorpecida, se despedirás de minha vida
E minha única saudade será tua despedida!

Nada mais

Embalança minha alma, me toca e me invade,
Mesmo sem encostar sua pele na minha.
Dança com meus sonhos, no ritmo da vida.
Ao sair, me deixa esvair seu cheiro que me inebria, seu gosto que me entontece.
Mas, nunca me deixa ao todo, pois, a distância que me septa, é aliviada pela certeza de tê-lo.

Ele me tem, me teve desde o primeiro minuto em que o li.
Entre tantas palavras desconexas que me cercavam,
Li em suas letras, o sentido das palavras, que tanto me diziam.
O vi por dentro e o quis muito.
Quis, e ele veio.

Faz-me mergulhar em meus sentimentos e me traz as mais novas sensações.
Traz-me a perspectiva de um futuro bom,
Quando se farão presentes os valores que aprendemos,
O vigor pela vida, a resistência,
E a luta diante de tudo que parecer impelir o sorriso pelo gozo da vitória.

Vejo um futuro onde o cansaço da futilidade
E as crenças sobre o que para nós não é certo,
Construirão princípios, fortalecerão o respeito,
E nos guiarão pelo caminho do bem,
Fazendo dele, o maior valor.

Experimentar o novo, gostar de conhecer, perder o medo, se entregar à vida.
Com ele, corro riscos,
E, mesmo sabendo das ameaças de infortúnio,
Sinto-me forte e encorajada a vencer.
Por ele quero vencer, quero vencer com ele.

Amo respirar o seu ar quente,
Que é para mim o sopro da vida.
Seus novelos macios me esquentam o coração,
Junto à chama que me acende o seu olhar,
E que se seu suor não molha, incendeia.

É um sentimento absoluto.
Amo-o e nada mais.

Hoje

Hoje eu queria um dia de sol e um biquíni novo,
Uma praia vazia de estranhos e cheia de amigos,
Um mar calmo com leves ondas e um verde claro,
Um corpo perfeito ou cegos à minha volta.

Hoje poderia ser também um dia de chuva para um belo cachecol,
Em uma casa com varanda no alto de um vale,
Com uma neblina que acobertasse a cidade adormecida pelo frio,
E um chocolate quente com alguém para esquentar meu coração.

Hoje eu quis muito dinheiro para comprar aquela casa,
Dinheiro para fazer o bem ou apenas para me vestir bem,
Comprar o que quisesse e pagar pelo que não viesse,
Dinheiro simplesmente para mudar ou ir até lá.

Hoje também quis não ter nada,
Não conhecer o que conheço para não querer o que não posso,
Não ter nada para não olhar com tanto desprezo as pessoas fúteis,
Apenas não ter, para dar valor ao tanto que tenho.

Hoje quis ser sozinha no mundo,
Olhar para o lado e não ver nem ouvir ninguém,
Ter a certeza que não haverá a dor da ausência nem a do amor,
Quis estar só para tentar ser feliz sozinha e depois ser feliz com os outros.

Hoje queria ter ao meu lado o amor da minha vida,
Ser acordada pela fome do meu filho e ter de amamentá-lo,
Passar o dia agraciada por um afeto desajeitado e por um choro dengoso,
E dormir pensando nos planos para o nosso futuro.

Mas hoje, o que tive foi um dia nublado de sol,
O mar estava ali, mas indiferente.
Não precisei ter dinheiro nos momentos mais felizes,
Nem tive aquela casa, tampouco o desalento, mas um abrigo.
Fiquei só, enquanto pude, e vi da inocência à futilidade,
Experimentei do silêncio às gargalhadas incessantes.
Não, ainda não tive filhos, sequer encontrei o amor da minha vida,
Mas hoje, apesar da tristeza, algo me faz esperar o melhor.


05/11/06