segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Poema de Amor Nº 7

Pablo Neruda


Curvado sobre as tardes lanço minhas tristes redes
A teus olhos oceânicos.
Ali se abre e queima na mais alta fogueira
Minha solidão que enreda os braços como um náufrago.
Faço sinais vermelhos sobre teus olhos ausentes
Que ondeiam como o mar à beira de um farol.
Só vigias a escuridão, fêmea distante e minha,
De teu olhar emerge às vezes uma ponta de espanto.
Curvado nas tardes eu lanço minhas redes tristes
Para esse mar que agita teus olhos oceânicos.
Os pássaros noturnos bicam as primeiras estrelas
Que brilham como minha alma quando te amo.
Galopa a noite em sua égua sombria
Esparramando espigas azuis sobre o campo.


Texto extraído de "Veinte poemas de amor y una canción desesperada", traduzido por Elesta e Leo.

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